beirut - elephant gun

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Rafael


Estou atrasado disse Rafael a sua irmã ganhando a rua em passos longos, depois conversamos mais.
Consentiu Mônica acenando a Rafael e voltando-se para o interior da casa.
Rafael estava nervoso há muito tempo não havia marcado um encontro, estava acostumado ao trabalho que o tomava parte circunstancial de seu tempo e as poucas horas que lhe proviam erram dedicadas ao descanso.
Os pensamentos se confundiam a pressa que empunhava as pernas num pensamento frenético: - Estou atrasado!
A cada minuto que se aproximava Rafael ficava tenso na expectativa de como se comportaria diante de uma mulher novamente, já se faziam três meses que havia terminado seu casamento de cinco anos, variadamente sentia-se perturbado pelo fato de encontrar-se solitário, sentia-se como se algo falta-se dentro de si, um vazio inexorável ao qual o consumia em longos e dolorosos goles.
Ao avistar o bar onde havia marcado o encontro seu coração disparou em uma adrenalina vibrante e ao mesmo tempo desesperadora, as mãos começaram a suar. A vontade de correr daquele lugar incomodo.
- E se eu fosse embora? – pensou Rafael atônito.
Ao entrar no bar não a encontrou, decidiu escolher uma mesa ao ar livre, estava uma noite agradável e pos se a tomar um Chope enquanto seus olhos a buscavam em todas as partes.
Passaram trinta minutos dês que Rafael havia chegado ao local de encontro e o nervosismo do encontro começava a se tornar angustia uma agonia da possibilidade de ter cido desprezado.
Desacreditado Rafael fez um gesto com a mão ao garçom pediu-lhe a conta e levantou-se foi ao banheiro, retornou ao balcão agradeceu ao balconista pagou o Chope e saiu a meio andado.
Quando ameaçou atravessar a rua ouviu um “psiu”. Olhou para trás e viu Angélica.
-Me perdoe Rafael. – Disse Angélica abraçandoo.
-Sabe como são as mulheres. –Ameaçou um sorriso.
-Será que você ainda aceita a minha companhia essa noite?
Rafael sorriu e consentiu com a cabeça dando-lhe o braço.
De volta a mesa que Rafael encontrava-se antes, Angélica tomava um suco de goiaba com leite e Rafael em seu tradicional Chope.
Rafael ficou espantado como Angélica tinha características de sua ex-esposa o mesmo bom humor para com as adversidades, a forma como se sentava à mesa, a gesticulação das mãos junto aos assuntos.
- Estarei ficando louco. Pensava.
Confuso, Rafael admirava aquela mulher porem aos poucos a imagem ao qual ele assemelhara à de sua ex-esposa ficava distante a cada minuto que conhecia melhor Angélica. Percebia que ela era um individuo completamente diferente e que estaria ele sento injusto chegando ate ser estúpido por não perceber que Angélica não era como sua ex-esposa mais da mesma forma era uma grande mulher digna de ser amada sem comparações.
Ao relógio de Angélica soar a meia noite, disse a Rafael que precisava ir, pois trabalharia pela manhãm bem cedo.
Rafael concordou e levantaram-se, dividiram a conta mesmo contra a vontade de Rafael que dizia ser uma obrigação dele pagar.
Ao ganharem a rua Rafael ofereceu-lhe o braço novamente e saíram caminhando devagar. Ao chegarem ao jardim a uma quadra da casa de Angélica sentaram em um banco a beira do lago.
Era um jardim belíssimo bem dividido e florido com um lago cheio de peixes ganhando todo seu centro e uma ponte de madeira que o atravessava, alguns quiosques e muitos bancos por toda a extensão do lago.
Ao ver o reflexo da lua no lago Rafael mostrou a Angélica em um gesto carinhoso com as mãos.
- As melhores coisas da vida não têm preço. Disse Rafael sorrindo francamente.
Angélica aproximou-se e o abraçou – é verdade elas não tem preço.
Por um minuto ambos ficaram quietos observando o lago límpido como se o silêncio, o abraço, o calor gerado entre eles fosse à única coisa a dizer naquele momento.
Pela primeira vez Rafael não sentiu mais aquele vazio que o consumia, era algo diferente que o confundia.
-vamos indo – Interrompeu Angélica trazendo-o de volta a si.
- sim – disse Rafael levantando-se e trazendo-a para perto.
Ao avistar a casa de Angélica ambos começaram a desacelerar os passos propositalmente, ela o apertou suavemente e repousou a cabeça sobre seu peito alegando estar cansada de um dia exaustivo.
Já na sacada de sua casa Angélica abraçou-o fortemente.
- Obrigado pela noite maravilhosa. Sussurrou-lhe ao ouvido.
Rafael correspondeu o abraço.
- eu que lhe agradeço.
Beijo-a no rosto carinhosamente, acariciou sua face suavemente e pos se subitamente a andar sem olhar para trás.
Rafael não entendera bem o porquê de sua reação tão estranha mais teve ódio de si.
Rafael espera! Veio à voz de Angélica ofegante aproximando-se dele.
-O que houve?...Fiz algo errado?
-Me perdoe Angélica mais não é nada com você, não sei te explicar.
-Perdoe-me. Disse Rafael voltando-lhe as costas e retornando a caminhar. Angélica o deteve segurando o seu braço.
Rafael conteve-se por um breve momento, virou a Angélica de cabeça baixa.
- Você não precisa me pedir desculpas. – ela o abraçou fortemente.
- você não entende Angélica eu... – antes que pudesse terminar a frase ela o deteve com um dedo em seus lábios.
- Não precisa me explicar nada – sussurrou, trazendo-o para perto de si.
Angélica o beijou em um longo beijo como os quais se vê nos portos a beira do cais, os casais despedindo-se de um reencontro duvidoso e longínquo.
Rafael naquele momento sentiu-se invadido por um calor inexplicável, ao qual consumia seu vazio, sua dor, sua angustia.
Deixou-se conduzir por Angélica... Sentia-se bem, pensamentos descordenados coração insubordinado.
- Era ela. – pensou ele acariciando-lhe a face.
- Vamos? – Disse Rafael olhando-a firmemente.
-Com você, para qualquer lugar! – ela o fitou tentando desvendar seu doce mistério nos olhos.
E puseram-se a andar lentamente, logo não se podia velos na escuridão que vencia a clara luz das ruas, a silhueta uniforme deles foi se desmanchando conforme seus passos se tornavam inaudíveis...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Clara


Eram dias esguios e pasmos de calor que assolavam o pobre espírito de Clara. Faziam-se meses que não se tinha sinal chuva e agora que obtivera o desejo, não mais se importava com a brisa mansa e a garoa rala.
Clara olhava estática a chuva de sua varanda como se sua alma estivesse desguarnecida dali.
Ameaçou alguns passos e deixou-se repousar na rede ao lado de Tobias, seu mais novo companheiro que a sua mãe lhe dera acusando-a de estar muito tempo solitária e que precisava de algo que a distraísse. Presenteou Clara com um cachorro que batizou de Tobias, nome ao qual se chamava o rapaz do mercadinho a um quarteirão de sua casa. Garoto de sorriso fácil tinha malicia com as palavras, alto, olhos castanhos claro, voz rouca e passiva.
Daria um bom divertimento pensava Clara sempre que o via com um sorriso nos lábios provocantemente tentador. Ela o retribuía com finalidade diferente a provocação do jovem rapaz Tobias: lembrava-lhe a semelhança com seu cachorro.
Deitada em sua rede rotineira dos poucos minutos de paz que lhe havia (quando havia), Clara gostava de afagar o preguiçoso Tobias e por se a dançar entre as nuvens de seus pensamentos relembrando antigas metas, planos, desejos; como o mais recente de ir ao show de Leonni pedir-lhe que cantasse somente para ela Temporada das Flores.
Ao reencontrar-se nos pensamentos assustou-se com tamanho tempo que já havia se passado os anos, que por sinal foram generosos, pois mantiveram a beleza das mulheres jovens com a sensualidade das mulheres maduras.
Clara formada em Publicidade passou boa parte de sua adolescência estudando enquanto muitos de seus amigos iam a festas, perdiam a noite em longas conversas, passavam os dias a se preocupar com namoro e ela sempre resoluta a seu único desejo aparente: tornar-se Publicitária.
Certa vez em uma roda de discusões futurísticas um amigo a perguntou.
- Clara quais seus são sonhos?
Não sabendo se existia uma linha que se diferenciam sonhos de objetivos desdenhou-se da conversa e da pergunta que dês de então lhe marcara uma duvida eterna.
Agora formada, estabilidade financeira boa, Clara olhava perplexa em sua volta e via que havia sim alcançado seus objetivos, porem era uma pessoa solitária, nunca tinha tempo para nada, pois o trabalho tomava todo o ensandecido tempo. Desaprendera muita coisa.
-Como se ama? Perguntava-se sempre que se encontrava lúcida do rotulo que o dia a dia a impôs.
Tentava compreender o porquê de mesmo obtendo todos os seus objetivos sentia-se um vazio crescendo dentro de si.
Qual era a diferença se essas existissem mesmo de sonhos e objetivos?
Ao levantar para saciar sua sede Tobias despertou-a de seu transe.
Olhou o relógio, faltava meia hora para ir ao trabalho. Levantou-se da rede fez um estalo com os dedos e Tobias a seguiu, dirigiu-se ao seu quarto e aprontou-se.
Terminado o ritual almoçou um requentado, lavou a louça pos água e comida a Tobias na varanda. Foi ao sótão onde encontrou uma caixa de livros da faculdade de onde prometeu um livro sobre Administração em Publicidade que iria emprestar a uma amiga.
Ao pegar o livro, Clara achou dentro dele uma agenda pequena, preta com mensagens dela, programações da faculdade muitos números de telefone, especialmente um que estava com um asterisco na frente:
-Lucas... – Sussurrou.
Seu antigo amor que por contradições acabaram se afastando e perdendo o contato.
Clara sentiu-se transbordada de mil emoções e lembranças às quais esquecera por completo.
Estazeada voltou à sala pegou a bolsa, guardou o livro e a agenda (porque não?) e ao atravessar a varanda abraçou Tobias, deu-lhe um beijo e disse ironicamente:
- Vou dar de alimento aos porcos – Sorriu francamente.
Abrindo o guarda chuvas atravessou em passos largos o descampado ate a garagem.
Ao longe Tobias jogado preguiçosamente via sua companheira empunhada do celular e ganhando a rua com seu carro. O vento trouxe aos seus ouvidos desatentos.
- Lucas é você? ...
Nascia assim Clara...

domingo, 5 de abril de 2009

Suicidio


Debruçado em sua escrivaninha Augusto lamentava as dividas que encontrara na caixa de correio, questionava-se como as pagaria agora que não obtinha mais emprego.
Dois longos anos de frustrações sobrevivia de aulas de reforço de português que eram raras mais quando apareciam o ajudava a pagar um parte das dividas.
Agora que morava sozinho, sua solidão havia se alargado e tomado espaço avassalador em sua vida, antes tinha ao menos Amanda para dar-lhe apoio e combatê-la, mais agora tudo que lhe havia restado era uma casa alugada com uma escrivaninha, cama de casal, guarda roupa, fogão e geladeira. Sempre que se deparava sozinho na casa lembrava de Amanda e seu filho Caio de um ano, faziam 3 meses que eles haviam deixado Augusto.
Preocupado Augusto foi ate a cozinha apanhar uma garrafa de vodka que comprou com o pouco de dinheiro que ainda restava.
Encheu o copo, olhou fixamente para ele dizendo:
-Minha soberba e minha ruína. Bebeu-o em um único gole repetindo assim varias vezes o mesmo processo.
Absorto retornou a escrivaninha olhando desdenhosamente o caderno aberto sem uma palavra escrita. Repousou os braços na cadeira e verteu-se a chorar perguntando a si mesmo por que as coisas haviam chegado a esse ponto? Por que Amanda o abandonara na hora em que mais precisava dela?
Ficou cerca de uma hora olhando a folha em branco nada disse ou escreveu se não os grandes soluços do choro que tentava abafar.
Lembrou de quando seu pai e sua mãe morreram em um acidente de avião em que ele por acaso não foi por ter muitos enjôos, preferiu ir de carro com seu tio. Quando soube do acidente trancou-se no quarto durante dias sem comer e culpando-se pela morte fatídica de seus pais.
Retomando os pensamentos olhou os esboços de futuros livros que havia escrito alguns poemas acompanhados de muitos sonhos. Riu de muitos pela simplicidade e felicidade de seus versos, achou-os bobos e ao mesmo tempo confortadores.
Pegou a garrafa com o pouco de vodka que restava jogou em uma lixeira e queimou-os um a um cada prosa, poema, livro todos entregues as chamas, observou em um ritual mortuariamente silencioso.
Logo depois tentou ligar para Amanda, quem atendeu foi um homem, não ousou perguntar quem era desligou em seguida. Levantando-se pegou o giz vermelho que havia guardado na gaveta da escrivaninha que Caio esqueceu quando saiu às pressas com Amanda logo após uma briga com Augusto devido ao excesso de bebida que ele estava se submetendo.
Subiu na cama escreveu algo com o giz na parede atrás da cabeceira da cama olhou a casa como se entrasse nela a primeira vez, lembrou dos momentos de prazer com Amanda, de quando recebeu a noticia de que seria pai, a comemoração do nascimento de Caio, ele engatinhando por toda a casa.
Foi ate o jardim da casa e quebrou um vaso de margaridas, pegou a sacola de supermercado que havia dentro portando uma arma que tinha comprado tempos atrás para prevenisse de um assalto.
Achou engraçada a ironia que o destino o lançou, a mesma arma que comprou para zelar sua vida hoje trabalharia de forma alternada.
Retornando para dentro da casa pensou no que gostaria de ter cido, na vida que gostaria de ter dado para Amanda e Caio, colocou um bilhete com o nome de Amanda em cima da escrivaninha, retirou o retrato que estava na mesma de Augusto, Amanda e Caio em um piquenique.
Sentou-se na cama beijou a foto apertando-a logo em seguida no peito, engatilhou a arma de olhos fechados e sussurrou a frase que havia escrito na parede:
- “Quem perde seus sonhos, perde a si mesmo”...
O silencio na rua foi interrompido por um grande estampido.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Roulette


Eram quase sete e meia quando Fernando inquieto levantou-se da cama e caminhou a janela ansioso espreitando os pedestres que caminham aos montes para todos os lados em uma noite chuvosa.
Todas as noites se deparava naquele mesmo lugar com seus pensamentos turvos e o fardo de um dia cansativo, o mesmo copo de uísque transparecendo seu rosto pálido no fundo.
Jovem advogado recém formado filho de pais ricos
O interfone do apartamento interrompeu seus pensamentos e a voz rouca do porteiro avisou-lhe de que tinha visita.
- Por favor, Sr. Jonas, mande-a subir!
Retornou ao seu copo e direcionou-se a varanda do apartamento tranqüilo com a noticia recebida.
Distraído não ouviu o barulho de chaves e a porta abrir dando forma a uma linda mulher alta, olhos castanhos, pernas volumosas e insinuantes, vestido azul claro.
Voltando-se para a sala disse:
- Pensei que não viria mais Manoela!
Aproximando-se a abraçou afetivamente, Fernando a despiu carinhosamente levando-a a cama e balbuciando ao seu ouvido.
- Senti sua falta!
Ela apenas sorria como uma menina sonhadora que encontrará seu príncipe.
Sorriso tão majestoso que esplandeceria qualquer esperança fatidicamente abatida.
Ele a amou como quem se ama a primeira vez, mão tensas, suadas, os corpos entrelaçados entre gemidos e caricias, ele a prometeu sonhos volumosos, jurou-lhe filhos viagens por toda a Europa.
- Eu te amo Manoela! Dizia Fernando apertando-a contra o corpo.
Abraçados cúmplices do mesmo silêncio apenas trocavam carinho quietos ouvindo a chuva cair.
Fernando lembrava de como havia conhecido Manoela.
Em umas noites boemia, quando saia de uma festa onde os amigos o levaram contra vontade e já se iam longe bêbados, alegres e cantarolantes, andando desgostosamente a viu parada na rua e se encantou por sua beleza invejável as suas concorrentes. Dês de então se encontram todos os domingos há quatro anos no apartamento de Fernando.
O relógio anunciava às dez horas com badaladas suaves quando Fernando quebrou o silencio:
- já esta na sua hora, não? Manoela consentiu com a cabeça.
Ele voltou-se a cabeceira da cama
- aqui esta seu dinheiro!
Manoela aceitará com desgosto pois há muito tempo não cobrava um centavo dele, fazia por amor por ele ter devolvido-lhe a vida novamente,sonhos,esperança. Sentia-se ofendida todas as vezes que ele dava-lhe dinheiro.
Manoela se perguntava sempre como foi parar nessa vida de prostituição, violentada pelos pais fugiu de casa e a única maneira que encontrou de arumar o que comer, alem das más companhias que a rua oferece.
A rotina da semana foi cotidicamente correta, rotos desconhecidos, suor, cheiro de vaselina, todos os tipos de homens. Manoela havia recuperado as esperanças e sempre que se deitava com um homem pensava em Fernando nas coisas lindas que ele lhe dizia,
Em como seria sua casa no campo, um lindo casal de filhos e a felicidade de ambos. Era só o que importava a ela, nem os palavrões e embriagueis de seus clientes a incomodava mais.
Domingo pela manhã Manoela foi ao mesmo restaurante de sempre tomar seu café ansiosa em encontrar Fernando e dizer-lhe que abandonaria aquela vida miserável de cafetina.
Folhando o jornal viu em uma coluna social a noticia que o jovem advogado Fernando havia se casado na noite passada e embarcaria para a Europa com sua esposa.
Manoela sentiu-se traída, confusa, relembrará dos planos, sonhos seus futuros filhos com nomes já escolhidos, sua viagens em família para a Europa, sentimento de que foi usada, enganada.
- Europa?! Foram para a Europa!
-Como ele pode?
Desiludida agarrou-se a qualquer pensamento e tentou restabelecerse. Um rapaz tão distinto nunca poderia fazer isso com ela, sempre tão bem educado dizia que a amava sempre fazia questão de dizer que a amava. Chorou cerca de meia hora apoiada na mesa sem tocar no que havia pedido ao garçom antes o jornal.
Com muito trabalho composse, abriu o estojo de maquiagem deu uns retoques colocou um batom.
Levantou-se da mesa, pagou o café amargo que havia pedido e retirouse ligeiramente apressada, contevese ao atravessar a rua.
Um carro esportivo negro de vidros fume parou ao seu lado, a porta se abriu e uma silhueta de um homem bem vestido e com marca de aliança no dedo provavelmente escondida apareceu propondo-lhe um passeio.
Manoela calada sentou ao seu lado, ele ao fechar a porta conduziu sua mão por toda a suas pernas apertando-as agressivamente.
Deu a partida no carro e seguiu entre os becos da cidade.
Manoela não tinha mais aqueles olhos vivos e seu sorriso franco, com uma de suas mão abafando o choro, a cabeça apoiada no vidro do carro balbuciando:
- Fernando... Fernando...
Enquanto o carro desaparecia na escuridão da noite...