
Estou atrasado disse Rafael a sua irmã ganhando a rua em passos longos, depois conversamos mais.
Consentiu Mônica acenando a Rafael e voltando-se para o interior da casa.
Rafael estava nervoso há muito tempo não havia marcado um encontro, estava acostumado ao trabalho que o tomava parte circunstancial de seu tempo e as poucas horas que lhe proviam erram dedicadas ao descanso.
Os pensamentos se confundiam a pressa que empunhava as pernas num pensamento frenético: - Estou atrasado!
A cada minuto que se aproximava Rafael ficava tenso na expectativa de como se comportaria diante de uma mulher novamente, já se faziam três meses que havia terminado seu casamento de cinco anos, variadamente sentia-se perturbado pelo fato de encontrar-se solitário, sentia-se como se algo falta-se dentro de si, um vazio inexorável ao qual o consumia em longos e dolorosos goles.
Ao avistar o bar onde havia marcado o encontro seu coração disparou em uma adrenalina vibrante e ao mesmo tempo desesperadora, as mãos começaram a suar. A vontade de correr daquele lugar incomodo.
- E se eu fosse embora? – pensou Rafael atônito.
Ao entrar no bar não a encontrou, decidiu escolher uma mesa ao ar livre, estava uma noite agradável e pos se a tomar um Chope enquanto seus olhos a buscavam em todas as partes.
Passaram trinta minutos dês que Rafael havia chegado ao local de encontro e o nervosismo do encontro começava a se tornar angustia uma agonia da possibilidade de ter cido desprezado.
Desacreditado Rafael fez um gesto com a mão ao garçom pediu-lhe a conta e levantou-se foi ao banheiro, retornou ao balcão agradeceu ao balconista pagou o Chope e saiu a meio andado.
Quando ameaçou atravessar a rua ouviu um “psiu”. Olhou para trás e viu Angélica.
-Me perdoe Rafael. – Disse Angélica abraçandoo.
-Sabe como são as mulheres. –Ameaçou um sorriso.
-Será que você ainda aceita a minha companhia essa noite?
Rafael sorriu e consentiu com a cabeça dando-lhe o braço.
De volta a mesa que Rafael encontrava-se antes, Angélica tomava um suco de goiaba com leite e Rafael em seu tradicional Chope.
Rafael ficou espantado como Angélica tinha características de sua ex-esposa o mesmo bom humor para com as adversidades, a forma como se sentava à mesa, a gesticulação das mãos junto aos assuntos.
- Estarei ficando louco. Pensava.
Confuso, Rafael admirava aquela mulher porem aos poucos a imagem ao qual ele assemelhara à de sua ex-esposa ficava distante a cada minuto que conhecia melhor Angélica. Percebia que ela era um individuo completamente diferente e que estaria ele sento injusto chegando ate ser estúpido por não perceber que Angélica não era como sua ex-esposa mais da mesma forma era uma grande mulher digna de ser amada sem comparações.
Ao relógio de Angélica soar a meia noite, disse a Rafael que precisava ir, pois trabalharia pela manhãm bem cedo.
Rafael concordou e levantaram-se, dividiram a conta mesmo contra a vontade de Rafael que dizia ser uma obrigação dele pagar.
Ao ganharem a rua Rafael ofereceu-lhe o braço novamente e saíram caminhando devagar. Ao chegarem ao jardim a uma quadra da casa de Angélica sentaram em um banco a beira do lago.
Era um jardim belíssimo bem dividido e florido com um lago cheio de peixes ganhando todo seu centro e uma ponte de madeira que o atravessava, alguns quiosques e muitos bancos por toda a extensão do lago.
Ao ver o reflexo da lua no lago Rafael mostrou a Angélica em um gesto carinhoso com as mãos.
- As melhores coisas da vida não têm preço. Disse Rafael sorrindo francamente.
Angélica aproximou-se e o abraçou – é verdade elas não tem preço.
Por um minuto ambos ficaram quietos observando o lago límpido como se o silêncio, o abraço, o calor gerado entre eles fosse à única coisa a dizer naquele momento.
Pela primeira vez Rafael não sentiu mais aquele vazio que o consumia, era algo diferente que o confundia.
-vamos indo – Interrompeu Angélica trazendo-o de volta a si.
- sim – disse Rafael levantando-se e trazendo-a para perto.
Ao avistar a casa de Angélica ambos começaram a desacelerar os passos propositalmente, ela o apertou suavemente e repousou a cabeça sobre seu peito alegando estar cansada de um dia exaustivo.
Já na sacada de sua casa Angélica abraçou-o fortemente.
- Obrigado pela noite maravilhosa. Sussurrou-lhe ao ouvido.
Rafael correspondeu o abraço.
- eu que lhe agradeço.
Beijo-a no rosto carinhosamente, acariciou sua face suavemente e pos se subitamente a andar sem olhar para trás.
Rafael não entendera bem o porquê de sua reação tão estranha mais teve ódio de si.
Rafael espera! Veio à voz de Angélica ofegante aproximando-se dele.
-O que houve?...Fiz algo errado?
-Me perdoe Angélica mais não é nada com você, não sei te explicar.
-Perdoe-me. Disse Rafael voltando-lhe as costas e retornando a caminhar. Angélica o deteve segurando o seu braço.
Rafael conteve-se por um breve momento, virou a Angélica de cabeça baixa.
- Você não precisa me pedir desculpas. – ela o abraçou fortemente.
- você não entende Angélica eu... – antes que pudesse terminar a frase ela o deteve com um dedo em seus lábios.
- Não precisa me explicar nada – sussurrou, trazendo-o para perto de si.
Angélica o beijou em um longo beijo como os quais se vê nos portos a beira do cais, os casais despedindo-se de um reencontro duvidoso e longínquo.
Rafael naquele momento sentiu-se invadido por um calor inexplicável, ao qual consumia seu vazio, sua dor, sua angustia.
Deixou-se conduzir por Angélica... Sentia-se bem, pensamentos descordenados coração insubordinado.
- Era ela. – pensou ele acariciando-lhe a face.
- Vamos? – Disse Rafael olhando-a firmemente.
-Com você, para qualquer lugar! – ela o fitou tentando desvendar seu doce mistério nos olhos.
E puseram-se a andar lentamente, logo não se podia velos na escuridão que vencia a clara luz das ruas, a silhueta uniforme deles foi se desmanchando conforme seus passos se tornavam inaudíveis...



